TeamPlay: Paulo, comente um pouco como o senhor está se sentindo como o Melhor do Mundo (MiBR Campeão da ESWC) e o Melhor das Américas (MiBR Campeão do Pan Americano de Cs)?
Paulo Velloso: Não existe nada mais gratificante para uma equipe do que conquistar torneios, esse é o objetivo de qualquer time. Quando os torneios são da importância de uma copa do mundo como a ESWC ou de um Pan Americano principalmente em cima do 3D que está entalado desde a WCG de 2003 como foi o torneio do México, a sensação é a melhor possível. Mandei colocar uma estrela dourada sobre o logo do MiBR em referência à ESWC. É como um campeonato mundial para time de futebol. O São Paulo já tem 3 na camisa. Eu espero ganhar a CPL esse ano e colocar mais uma. A WCG não deu.
TeamPlay: Recentemente o site norueguês Catch Gamer fez uma excelente estrevista com o senhor, com comentários desde os tempos da Arena.DBA até hoje. Como o senhor vê esse reconhecimento mundial, já que muitos apontam o MiBR como o time que tem a melhor estrutura?
Paulo Velloso: A entrevista com o Jonas foi o registro de lembranças que eu e o próprio entrevistador tinhamos do inicio do time. Foi boa de fazer. O grande lance do MiBR é que com tão pouco tempo de vida já é um time com bastante história. E com a contribuição de figuras internacionais como o bsl, a percepção da comunidade é realmente de uma estrutura bastante boa. Mas acho que ainda falta pra chegar ao nível de estrutura escandinava. Estamos correndo atrás de coisas importantes como um centro de treinamento e um planejamento de treinos e eventos a comparecer. O dia que tivermos essa equação fechada, só ficaremos atrás mesmo em infra-estrutura de conexão. Essa não tem jeito, eles estão 100 anos à frente.
TeamPlay: Está chegando a CPL Brasil - e é o senhor que está realizando-a (com os direitos da CPL no Brasil)?
Paulo Velloso: Sim, eu adquiri os direitos da CPL para o Brasil em 2006 e 2007.
TeamPlay: Quais as expectativas para o evento? Ser melhor que a CPL Brasil de 2005?
Paulo Velloso: Meu primeiro objetivo é retirar da competição a aura de feira de informática. Nós pretendemos que a CPL Brasil seja um final da temporada brasileira de competição de games para a CPL Dallas (Counter Strike e Quake3). Quem quiser assistir a final no local será bem-vindo e terá uma estrutura adequada para assistir aos jogos. A idéia é não ter jogos simultâneos pelo menos de CS; para o Quake3 depende do número de inscrições permitindo que um espectador mais interessado assista a todas as partidas. Mas não pretendemos esquecer que o maior número de interessados nas partidas estará assistindo remotamente (via hltv, scorebot, etc...). Dentro das limitações que temos hoje, pretendemos ser um evento honesto para quem quer acompanhar de casa. Cumpriremos ao máximo os horários e tentaremos que os meios de transmissão estejam sempre disponíveis. Dentro desse quadro, acho que a comparação que pretendemos é em termos de disponibilização de acompanhamento das partidas para o público. Certamente não teremos o glamour das feiras, mas teremos o foco no melhor - a competição.
TeamPlay: Vai ter time de fora novamente, ou o senhor dessa vez vai realizar somente a CPL Brasil para times brasileiros?
Paulo Velloso: Estamos ensaiando para ser a CPL Sul Americana, mas acho que esse ano - se vier - de fora só o Army Gaming da Argentina, que se inscreveu na última etapa. Não é realmente um torneio internacional, apesar de ter uma premiação com padrão razoável mesmo para a Europa. O problema são os custos de viagem. Estamos estudando realmente fazer um evento internacional, com os melhores do mundo. Mas para isso, estamos à procura de patrocinadores dispostos a investir.
TeamPlay: Se tudo correr bem, o TeamPlay estará no evento fazendo uma cobertura digna de CPL, uma cobertura melhor que fizemos na WCG (nosso primeiro evento, houve erros e acertos, agora estamos indo para fazer mais acertos do que erros ). Como o senhor vê um site brasileiro de e-sport fazendo uma cobertura com shoutcast, já que o senhor era um dos idealizadores da Vbcast junto com o Vesslan?
Paulo Velloso: Gostei muito do shoutcast que vocês fizeram na WCG e gostaria muito que repetissem na CPL. Casa como uma luva com a idéia de possibilitar ao espectador acompanhar toda a competição com o maior número possível de meios de comunicação. Acho realmente que vocês deveriam se concentrar nessa forma de transmissão e quem sabe no futuro fazer uma parceria com alguém que evolua com streaming ou outra forma de transmissão da imagem. Não recomendo que se tente fazer streaming de jogos no Brasil agora, com as limitações que nossa infraestrutura de comunicação apresenta. A melhor qualidade possível ainda fica longe do aceitável. Mesmo lá fora, os resultados ainda não são os que esperávamos no começo da VBCast.
TeamPlay: O senhor acha, que com a volta do cogu, o time manterá o mesmo ritmo ou ficará mais forte ainda? E será que vamos ver algum dia o Rafael Velloso aKa pred voltar a jogar, nem que seja 4fun?
Paulo Velloso: O Cogu é um dos grandes nomes do CS no mundo. Qualquer time fica melhor com ele. O pred é jogador de World of Warcraft agora. É o único jogo que eu vejo ele ainda jogando, quando não está no mac com uns teclados tocando aquele negócio (trance, psy, sei lá).
TeamPlay: O senhor acompanha a cena internacional? Ou somente o MiBR que interessa ao senhor?
Paulo Velloso: Dentro das possibilidades eu procuro acompanhar os torneios internacionais, até porque eu acho que as competições serão sempre internacionais. Torneios locais são uma forma possível de selecionar e treinar times nacionais para competir nos grandes torneios internacionais.
TeamPlay: Fale-nos sobre a G7 (hoje tem 10 times se não me engano). Podemos esperar um calendário mais organizado em 2007 (porque o de 2006 está um tanto quanto bagunçado)?
Paulo Velloso: O G7 hoje já conta com 10 times, todos organizados e com projeção internacional. Os nossos objetivos enquanto organização estão sendo alcançados e sabemos que podemos ajudar na organização do calendário e de outros requisitos que precisam ser implementados o quanto antes para que os e-sports sejam considerados competições de nível, como por exemplo o estabelecimento de um ranking mundial compreensível - portanto justo - para 2007. Mas o G7 não pode e não quer ser uma liga ou estabelecer diretamente os critérios de funcionamento delas. Nosso objetivo é ser uma entidade facilitadora da organização de competições de games.
TeamPlay: Gostaria de deixar o agradecimento pela entrevista, e dizer que todos do TeamPlay desejam boa sorte durante a CPL Brasil e também para o time que o senhor tanto administra como se fosse sua própria empresa!
Paulo Velloso: Eu é que agradeço e peço que ajudem com a opinião de vocês. O time ainda não está como a minha empresa, mas vai indo bem, mas quando se trata de fazer competição a gente tem que fazer o que a maioria da comunidade espera. Todas as críticas serão bem-vindas e consideradas construtivas, já que é a primeira vez que estamos organizando um torneio e o nosso foco foi definido mais no sentimento do que efetivamente em qualquer dado concreto.
Grandes abraços!
** ESSA COLUNA SERÁ SEMANAL, AONDE ESTAREI RELEMBRANDO ALGUMAS MATERIAS QUE EU FIZ NO PASSADO. |
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