Vou publicar a partir de agora uma série de artigos relacionados à trilogia Matrix. Eu, como um fã aficcionado da séries, sempre procurei me informar sobre as entrelinhas e simbolismos presentes no filme e achei coisas muito interessantes. Esta é a primeira contribuição fala sobre o que na verdade o Oráculo representou na série. Neo? O escolhido? Na verdade, ele não é nada perto do que o Oráculo realmente representa. Apreciem.
Matrix: O jogo do Oráculo
O Oráculo, ela é esperta. Por todo o tempo nós pensávamos que ela estava assando biscoitos para estranhos, mas mostrou ser que era uma grande jogadora. Ela manipulou Neo, Trinity, e Morpheus. Ela manipulou o Merovingian, e ela manipulou totalmente o Arquiteto. Se ela tivesse uma cabeça real, estaria girando de todos os movimentos que ela fez.
O Oráculo, descrito pelo Arquiteto como "um programa intuitivo, criado inicialmente para investigar certos aspectos da psíque humana", está presente desde o início. Ela passou pelas 5 versões anteriores da Matrix, e tem guiado Os Escolhidos pelo caminho em cada versão. Ela tem visto eles no sufoco, lutar, cair, levantarem-se e continuarem. Ela tem visto eles viverem, amarem e morrerem. Ela tem visto Escolhidos seguirem o caminho. Elas tem visto pessoas colocando a fé no Escolhido e fazendo tudo que for necessário para dar assistência a ele ou a ela. Em resumo, ela tem visto tudo. E ela tem aprendido. Em cada reload da Matrix, o Oráculo tem aprendido um pouco mais sobre a psíque humana, um pouco mais sobre o que faz os humanos pulsarem. Pareie esse conhecimento com o cansaço de uma guerra inacabável, e um desejo de ver a humanidade em igualdade com as máquinas novamente, e você tem um novo propósito para o Oráculo e os preparativos para um jogo interessante.
Com Neo e a sexta versão da Matrix, o Oráculo finalmente tem a informação, e o perfeito candidato para cumprir algo que ela tem tentado por algum tempo: o fim da guerra. Para o Arquiteto que balanceia as equações da Matrix, o Oráculo as desbalanceia. Cada pedaço de informação que ela dá para Morpheus, Trinity ou Neo no primeiro filme é um cuidadoso empurrão na direção certa, para garantir que os eventos aconteçam como ela deseja. Neo não é o Escolhido? Hei, sem pressão; ele é apenas um membro do time que está lá para ajudar. Isto irá garantir que ele escolherá um caminho de heroísmo e sacrifício próprio essencial para o sucesso do seu plano, além de garantir também que ele fique atordoado por ter o peso do mundo nas suas costas de hacker. Trinity se apaixonará pelo Escolhido? Isto é apra garantir que o Escolhido tenha uma conexão específica com a humanidade - uma poderosa conexão com uma pessoa, visando garantir que Neo faça a decisão certa na sala do Arquiteto (Salvar Trinity ao invés de recomeçar Zion novamente). No fim de Matrix, Neo não pode estar morto porque Trinity o ama, então ele tem de ser o Escolhido, e a conexão está estabilizada, senão fortalecida.
Em Matrix Reloaded, a frase de Seraph "Eu protejo o que mais importa" está claramente expressando isso. Por acaso o Escolhido não é o que mais importa? Não necessariamente. O Escolhido é um peão no jogo que o Oráculo está jogando. É um peão que tem um papel essencial, mas não deixa de ser um peão. As apostas estão incrivelmente altas nesse jogo, e o Oráculo é mais importante do que qualquer coisa, porque sem ela os humanos não teriam chance de quebrar o ciclo e acabar com a guerra. E ela vê uma chance única na ascenção do Agent Smith: Aqui está uma maneira de desbalancear a equação desta vez. Aqui está uma maneira de garantir um final diferente das outras 5 vezes. Muito obrigado Smith!
Então ela usa Seraph para protegê-la até o momento crítico, e ela continua a alimentar Neo com a informação necessária para ter certeza de que ele fará o que ela precisa que ele faça. No parque, ela dá o cutucão de que ele já fez a escolha sobre o destino de Trinity - se ele já fez, há de não ser morte. Tem de ser vida, e isto segue o amor. De volta à sua cozinha em Revolutions, sabendo que Smith está perto, ela faz com que Neo entenda que o alvo agora é Smith, e não as máquinas. O papel de Neo não é lutar na guerra, e sim lutar contra Smith, mas porque? Porque tudo que tem um início tem um fim. Eu, você, Smith, esta guerra, a escravidão das máquinas; todas essas coisas podem e terão um fim. E sacrifícios são necessários para chegar ao fim. Depois que Neo sai para refletir sobre as palavras ditas por ela, o Oráculo sacrifica-se para Smith esperando que Neo tenha entendido a mensagem, e sabendo que se ele falhar, este é seu fim. Ela manipula Smith lhe oferecendo a sua visão, o que leva à superconfiança deste quando vê que o fim está chegando.
Como o Oráculo esperava, Neo vai até a cidade das máquinas para pedir paz, e termina encarando Smith. Após uma longa batalha, o Oráculo tem uma última missão a fazer: Smith repete a frase sobre tudo que tem um início tem um fim, dando a Neo o empurrão que ele precisa. Ele aceita que esse é o seu fim, o que desbalanceia a equação e da controle de um Smith sem propósito para as máquinas (após sua morte em Matrix, ele volta apenas com o propósito de destruir Neo). Como Smith mesmo disse "sem propósito não existiríamos". Agora que ele destruiu Neo, seu único propósito em voltar, não resta nada a Smith. As máquinas o deletam.
Na cena final o Arquiteto admite que foi manipulado, dizendo para o Oráculo que este foi um perigoso jogo que ela estava jogando. O longo e perigoso jogo do Oráculo finalmente teve retorno, e ela levou pelo caminho da primeira co-existência pacífica entre homens e máquinas desde que o homem criou as máquinas, há muito tempo atrás. |
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